A deficiência intelectual, também chamada de DI, consiste em uma condição crônica que envolve distúrbios no desenvolvimento de questões como: fala e linguagem, cognição e motricidade.

“A melhor forma de definir a DI é por uma visão multidimensional, de acordo com a qual a DI seria uma incapacidade caracterizada por limitação significativa no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo expresso nas habilidades conceituais, sociais e práticas” (AMMR, 2006).

É importante salientar que o indivíduo não nasce com a deficiência intelectual. Algumas síndromes, no entanto, podem atuar como um agente de predisposição ao atraso cognitivo intelectual. A deficiência hoje afeta cerca de 3% da população ao redor do mundo.

 

Fatores influenciadores da deficiência intelectual

Embora em boa parte dos casos de DI seja difícil encontrar a causa, há uma série de fatores, tanto orgânicos, quanto sociais, comportamentais, ambientais ou psicológicos podem influenciar no seu desenvolvimento.

São alguns deles: malformações cerebrais, anormalidades cromossômicas, exposição pré-natal a agentes tóxicos, doenças infecciosas intrauterinas, epilepsia, síndromes genéticas etc.

Descobrir a causa também está associado ao grau da deficiência. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, há quatro graus: leve, moderado, grave, profundo.

 

Leve

A pessoa apresenta o QI (quoficiente de inteligência) de 50 a 69 e idade mental de 9 a 11 anos. Nesse grau, identificar a causa da deficiência intelectual é extremamente difícil:

“A DI leve é muitas vezes diagnosticada tardiamente ou nem sequer é diagnosticada, já que na maioria das vezes ela se apresenta de forma não-sindrômica ou associada a elementos dismórficos menores, que passam despercebidos durante uma avaliação médica.” (O Papel da Variação do Número de Cópias Genômicas no Fenótipo Clínico de Deficiência Intelectual em uma Coorte – Retrospectiva da Rede Pública de Saúde do Estado de Goiás).

Nesse primeiro caso, o grau é caracterizado por dificuldades na aprendizagem que se mostram simples.

 

Moderado

Nesse grau, o indivíduo possui o QI entre 35 e 49 e a idade mental de 6 a 8 anos. Aqui, as dificuldades de aprendizado se apresentam mais contundentes, mas uma comunicação social sólida.

 

 

Grave

Neste caso, a pessoa apresenta um QI de 20 a 34 e idade mental entre 3 e 5 anos. Nesse momento, determinar a causa se mostra mais possível. Esse grau e o profundo são acompanhados de uma dependência para realizar as mais variadas tarefas de rotina. Além disso, há uma redução drástica na capacidade de comunicação e mobilidade.

 

Profundo

Neste grau mais elevado de deficiência intelectual, o indivíduo apresenta um QI menor que 20 e idade mental menor que 3 anos. Aqui é possível identificar causas pré-natais e perinatais, por exemplo.

Vale salientar que em todos os graus de DI, as habilidades de linguagem, comunicação, aprendizagem, autocuidado e interação social são prejudicadas.

Leia também: Inclusão Social: O que é e como ela realmente deve acontecer?

 

Estudos de outras causas

Além das causas que já citamos, podemos englobar uma série de possíveis fatores desencadeadores. Eles podem envolver questões genéticas e não genéticas, como:

  • Prematuridade;
  • Alterações vasculares ou degenerativas encefálicas;
  • Desnutrição infantil;
  • Hipóxia intrauterina;
  • Distúrbios monogênicos.

“Nos erros inatos do metabolismo, ocorre a deficiência ou ausência de uma proteína, geralmente uma enzima, levando à diminuição dos níveis plasmáticos e teciduais de substâncias importantes para o metabolismo normal e/ou ao acúmulo de outras potencialmente tóxicas para o organismo.” (DI – Revista de Deficiência Intelectual. Ano 2. Número 2. Pág 15)

Juntos, esses fatores podem designar a deficiência intelectual, além de comorbidades diversas. Os sintomas da DI podem ser confundidos com outras doenças, o que provoca um diagnóstico errado ou até a falta de um diagnóstico, em muitos casos.

 

 

Quando o diagnóstico é realizado?

O diagnóstico costuma ser realizado a partir dos 7 anos e é realizado com base em uma série de testes. Eles podem incluir tanto uma avaliação clínica como estudos de inteligência individuais, sempre acompanhados de uma equipe multidisciplinar.

Um exemplo é próprio teste de QI, que avalia a habilidade cognitiva da pessoa.

 

Equipe multidisciplinar

O acompanhamento realizado por uma equipe multidisciplinar, que envolve fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas, terapeutas ocupacionais e uma série de outros profissionais, como o realizado na APAE Diadema, faz a diferença.

Esse trabalho amplia a inserção social do indivíduo, mas também é essencial que ele participe de grupos e ações na comunidade que promovam a interação com outras pessoas.

 

Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa Com Deficiência

A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência aponta que:

Art. 1º. “É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.”

Entre outros pontos, assegura-se os direitos da pessoa com deficiência, considerando a sua inclusão com o meio que a cerca. Isso envolve questões como estudo, trabalho, relacionamentos interpessoais e profissionais, além de outros fatores relacionados à vida da pessoa com deficiência intelectual.

Para saber mais sobre o assunto e conhecer os projetos da APAE Diadema realizados com pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla, clique no botão abaixo.